Aja duas vezes antes de pensar

Um balaio revirado de ideias, textos, poemas.
Mais escritos do que pensados.
Sempre pouco sinceros.

Diego Reeberg

Apr 22

Violento

Acordes louros na última coxia
Tingidos de cupins roxos, azedos e experientes
Dormem próprios os sonhos,
bexigas liquefeitas em nuvens de pregos,
Enquanto cinge o nylon nulo.


Jan 20

Tempo

São três as bolas que lembram quando natalinas
e que pendem do teto,
num esforço de beleza e dança.

São três os finos e desiguais fios
que as conectam.
Não, não só conectam:
permitem que a arte viva,
posto que são fundamentais.

São três as cores:
vermelha, dourada (essa fosca, como o presente) e verde
Representam tudo
e refletem o nada.

São três as nossas histórias,
e só o futuro fica preso na memória.


Dec 13

A namorada ideal

Que me perdoem o plágio,
mas beleza é fundamental.

É preciso olhos estonteantes.
Que ditem minha respiração pelo ângulo
e pela profundidade do arremate.

A fragilidade é fundamental e azul
e precede de um encolhimento leve do corpo,
que pede abraço ou um sanduíche de mãos,  
onde ambos aqueçam.

Ela precisa mais de vontade do que de saber.
Seu desejo tem que inquietar e
se sobrepor, sem que perceba. .

É refutada a hipótese de poder
não ser curiosa.
O espírito vive como criança e, no máximo,
rejuvenesce.

Se possível, que faça seus mais longos discursos
com o corpo.
E que só cale com a boca.

Não quer que a peçam em namoro em um jantar,
nem com um buquê de rosas em mãos.
Seu apetite por surpresa é latente e vermelho.

Não é perfeita, posto que
se fosse, não seria ideal.

Ah! o sorriso. O sorriso é importantíssimo!
É imprescindível que ele seja daqueles que
não alegre só no encontro visual,
mas também na lembrança,
como a nostalgia da infância.

E o perfume na altura da nuca
tem obrigação militar de permanecer
não importe a quantidade sucessiva de inspirações
profundas que eu não resistir.

A namorada ideal tem uma última prerrogativa:
Ela tem que ter ou os olhos ou o coração palpitando,
Definitivamente em um ritmo desordenado, tal sua vida,
Quando, deitada, afundada na cama, do meu lado, ler essas palavras.


Dec 12

Deusa

Dê, a mim,
dê uma história
dessas que à claraboia
não se encontra um certo fim.

Dê-me um gesto,

dê-me um sopro,
que o resto
vai com o vento.

Vento forte, bate as asas
da vitória, a Deusa Nice,
como a musa dos poemas
que aqui chama Denise.


Nov 28

Mulheres

Toda musa
Quando se sabe musa: abusa,
me usa,
Olha de cima pra baixo.

Toda rainha
Quando se sabe rainha: adivinha?
Gira carretel fora da linha,
Olha de cima pra baixo.

Toda governanta
Quando se sabe governanta: manda, só manda!
Deixa os outros pequenininhos,
Olha de cima pra baixo.

Toda donzela
Quando se sabe donzela: nunca zela.
Aproveita e disfarça, mas no fundo
Olha de cima pra baixo.

Toda mulher
Quando se sabe mulher: não sabe o que quer.
E só vive quando encontra outros lábios,
De olhos fechados.


Nov 22

Rosa da manhã

Rosa louca dos meus sonhos
Abre em sóis em outros mundos
Negros, alvos, torpes, ricos
Flor da vida és meu manto

Teus acúleos me orientam
Dói, estraga, rasga, sopra
Pétalas mansas de domingo
Rodam traços de donzela

Rezo solo em meus prantos

Quero, quero, seu encanto
Bem baixinho agradeço:
És a rosa mais perfeita.


Nov 17

Dos amigos que não são

Pensem em dementes, loucos, frágeis,
Como pálidas bolas de borracha
Que se deformam, mudam, voltam
Sempre um pouco estragadas

Pensem em espumas transfiguradas
Em mentes enxugadas
Em corpos que não correspondem
Ao que são ordenados

Pensem em sacos de desgraça
Pretos pra esconder pecados
Vivos como todo vil soldado
Iludidos por tão triste causa

Pensem em almas ensopadas
Com suor e anfetamina
Entre mortos, mortos-vivos
Que explodem de alegria.


Nov 16

Inspiração

Como eu queria, Senhor eu queria,
despejar em toda poesia
a mais pura magia:
Alegria, alegria!


O poeta maior alertava: tristeza não tem fim,
verso forte que se hospedara em mim.
Mas não, não concordo mais não!
Bem-vida alegria (!), rainha dessa encarnação!

Eu ouço o samba, a batida na rua

Eu olho pro lado, a musa desnuda
Sorriso na alma, é pura euforia
Rabiscam meus braços: pás de alegria!


Nov 15

Fênix

Silêncio opulento, que oprime minha rebelião
De sistemas tão nervosos, meu cérebro em ebulição
Foge o álcool da minha pele, como chorinhos brasileiros
Eu perdi a consciência de tanto fingir pensar.

Será que se suprime esse nós com a mágica das rendeiras,
que destituem as amarras dos novelos?
Será que essa dor se esquiva, como faz o pugilista,
o piloto no risco da pista?

Quem sabe numa quinta-feira,
felicidade de toda semana,
Depois que meu corpo te cheira
nossas bocas se amam.


Nov 10

Só de pensar na ideia de que você existe

Se esse sonho
não sonhasse
Tão vazias essas linhas.
Sonho bom
Sem compromisso
Só afirma quem eu sou.

Da mulher admirada, musa de cada palavra,
Quero só poder sonhar
E com essas poesias
O meu mundo extravasar.

Sei que as coisas sempre mudam
Sei que a noite pode entrar,
Sei, não há verso melhor
Que todo dia te amar.


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